A pax romana e a tentativa democrática
Desde a constituição das polis gregas, o homem acabou dando um passo preponderante para sua evolução política. Esse,como todos sabem, recebeu o nome de democracia.
Na criação tudo parecia lindo, a começar pela independência de cada cidadão. Chegou a criação do voto que atestava, cometia e assegurava a posição de todos como cidadão. Ela colocava que todos teriam participação na vida pública. Com a democracia vêm também os parlamentos, lugares reservados para falar de política, para o direito à fala, e estão aí até hoje. Quem discutia fazia parte da esfera pública.
A palavra democracia significa o povo governando, no poder.
A beleza vinha destes traços, mas apesar disso, nem tudo era perfeito. Isso porque houve, neste mesmo período, a criação do senado romano. Este tinha como propósito a organização de um povo democrata. Para tanto, seriam eleitas pessoas que ‘’auxiliariam’’ nas decisões políticas. Porém, como todos sabem, esse senado não detinha suas caracterizações, descritas acima, tão implícitas. Porque, para muitos, o interesse humano sempre prevalece.
O fato dos políticos pensarem no próprio interesse gera uma confusão entre o público e o privado, e faz com que o privado privatize o público. Na teoria, o espaço público congrega os interesses gerais do povo.
O que é público vêm de todos, no sentido de uma ordem que vale para todos.
Mas este significado sofre uma catarse, já que hoje o que melhor traduz quem usufrui do espaço público é o termo cidadão-cliente, para quem os espaços públicos são destinados pelo governo, que por sua vez seria uma grande empresa prestando serviços aos cidadãos (-clientes).
A origem etimológica da palavra cliente é 'cliens', 'clientis', significa vassalo, protegido de alguém. Mais tarde a palavra foi associada aos protegidos dos senadores romanos, o que deu origem à expressão clientelismo.
A dominação oligárquica da troca como favor já eliminou as maiorias da vida pública, como índios, negros, mulheres e analfabetos, durante séculos impediu a conquista da cidadania e esta dominação continua viva e renovando-se.
É dando que se recebe: O clientelismo político é principalmente uma relação entre os poderosos e ricos e não entre os ricos e pobres. A trajetória da burguesia é uma história de transações, de troca de favores com o Estado brasileiro.
É devido ao caráter humanitário que a pax romana deixou,até os tempos atuais,marcas históricas incorrigíveis. Isso ocorre no instante em que o senado romano inicia o trágico e ostensivo jogo de poder, jogado até hoje.
As conseqüências do modelo democrático no caráter humanitário brasileiro
Os traços do senado sofreram, e ainda sofrem, com outro mote pertencente ao poderio: a identidade nacional.
O laço citado acima foi ferido, agredido e, digamos, quase mutilado devido ao nosso descobrimento. A relação dele com a falta de identidade nacional vêm à tona pelo fato do modelo de colonização portuguesa ter tido, como princípio básico, a extinção desta identidade.
Com o passar dos anos,esse trauma deixou entraves ,ferozes, no comportamento de nosso povo. Trauma esse que acarretou sérios danos na chave central de nosso texto: a democracia. Isto, devido à relação da falta de identidade com a democracia. É simples, pois um preponderantemente incorpora o outro.
Para destrinchar isso, fica a questão: Que povo iria fortalecer seus laços democráticos sem uma identidade nacional? Esse aspecto faz com que pensemos em um segundo: na ditadura.
Depois da colonização, o nicho sócio-político que tentou o mínimo de nacionalidade no povo brasileiro foi a ditadura. Esta se utilizou de um mote , em especial, para colocar essa veia nacional no povo. Este mote diz respeito ao futebol.
Aí está mais uma falha democrática, este período em que o país tentou ‘’nacionalizar-se’’, ocorreu na fase menos democrática possível. Isso fez com que fosse criado mais um buraco entre o Brasil e o brasileiro.
O senado é um dos que mais sofreram com todos os aspectos citados. Que senado votaria por uma causa de toda a nação sem que essa existisse?
Para colocar de vez o quanto a democracia é importante. Ela, entre outras coisas, ratifica moralmente a identidade nacional fazendo com que essa seja cada vez mais louvada. O fato de ser democrata faz com que o cidadão sem querer pense no outro, pois as leis são para todos e dependem também de todos. Tudo isso nos faz crer que este país precisa de muito para ter um “quê” de democracia.
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