Dia 12/12, sábado
Das 9:30 ás 11:30hrs.
* Oficina Presente de Natal Reciclável (durante o horário da feira)
* Palestra (das 11h30 ás 13h30): "O que é comércio justo?' e suas práticas no brasil e no mundo", com a Palestrante Fabíola Zerbini.
Começo esse artigo com uma dúvida bem pessoal: porque escrever sobre esse tema se a melhor maneira de entender o que é uma feira de trocas é participando de uma? E logo uma resposta me vem à cabeça: porque há quase 2 anos venho organizando uma feira de trocas no meu ateliê e sempre chegam pessoas querendo saber o que é isso? Como funciona? Para que serve? Então, se já faço acontecer, posso escrever sobre o assunto e convidar àqueles que nunca foram a uma Feira de Trocas à visitarem a nossa, no céu aberto.
Mas antes de definições gostaria de apresentar uma situação bem comum em nossa vida de consumidores ávidos por novidades. Quantas vezes já não nos encontramos diante de nossos guardas roupas repletos de peças que não nos servem mais ou não gostamos mais ou já não fazem parte de nosso cenário? Lembro-me bem quando encerrei minha carreira acadêmica e um dia me deparei com um armário cheio de “modelitos” usados para defesas de tese. Já não tinham função alguma e não cabiam mais no cenário que passei a freqüentar. Foram doados ou passados adiante, pois na ocasião não conhecia nenhuma feira de trocas.
Se por um lado, algumas coisas nos sobram outras nos faltam ou, pelo menos gostaríamos de variar, de nos surpreender sem ter que investir dinheiro e acumular mais trecos. Mais uma vez uma feira de troca seria o lugar ideal para dar uma volta.
Parece, até agora, que uma feira de trocas só serve para livrarmos do que não queremos e adquirir mais supérfluos. Bem, é isso também, mas ela pode e deve ser usada como um poderoso aliado a nossa economia doméstica se anunciarmos nas listas de trocas aquilo que temos para trocar e solicitar aquilo que necessitamos: poderemos deixar de comprar um liquidificador novo quando o nosso não estiver funcionando. Por exemplo, imagine um produtor de mandiocas com excedente de sua safra levando para casa seu liquidificador vermelho! Sim, pois você tem 3 liquidificadores e o vermelho deixou de combinar com sua toalha de mesa (sociedade de consumo/acumulo e desperdício). E você levando um saco de mandiocas em troca do “vermelhinho” sem utilidade estética. Deliciosas sopas e bolos serão feitos na sua cozinha que nem notará a falta do “vermelhinho”. Para o nosso produtor, o utensílio recém adquirido fará parte direta de sua economia, uma vez que não precisará desembolsar dinheiro para comprar um aparelho novo. É essa dinâmica que alonga a vida das coisas e impede desperdícios e ainda é divertida.
Não só as coisas podem ser trocadas, mas também os serviços e saberes: um corte de cabelo por um livro. Uma receita de família por uma tigela. Uma massagem por uma aula de inglês. E assim segue a lista até se esgotarem todas as nossas habilidades e conhecimentos adquiridos. Imaginem quantas coisas temos para trocar! Todos nós somos guardiões de inúmeras qualidades e saberes, verdadeiros contêineres de abundância só que não temos consciência dessa prosperidade latente. Talvez essa seja a maior qualidade de uma feira de troca: lembrar-nos de que temos muito e podemos fazer circular essa riqueza. Usufruir da diversidade e se alegrar em ter coisas novas. Praticar o desapego, ouvir as histórias das peças que nos chegam – as coisas passam a ter vida depois que participamos de uma troca. Podemos entender as feiras de trocas como um espaço de socialização, humanização, de vivencia comunitária, de organização da comunidade, de múltiplos aprendizados, de satisfação de necessidades pessoais e porque não de autoconhecimento!
Em resumo, podemos dizer que uma feira de trocas consiste no espaço harmonizado à realização das trocas solidárias. Estas trocas são envolvidas através de um grupo de voluntários que trocam (permutam) entre si bens, produtos e serviços. Aí entra a criatividade humana em trazer para trocar os dons pessoais de cada um, as artes, as manifestações culturais, os desapegos e por aí vai. Podem ser organizadas pela associação de bairro, pelo clube de amigos da escola, pelo time de futebol da rua ou por um grupo organizado especificamente para este motivo: organizar feiras de trocas. Podem ou não fazer o uso de uma moeda própria, criada e gerida pelo grupo. A esta moeda damos o nome de moeda social. Ela difere do dinheiro “normal” pelo fato de estar sob controle do grupo que a detém, ou seja, este grupo determina o nome da moeda, o lastro (seu valor comparada a moeda “normal”), sua forma de obtenção, a quantidade que cada participante recebe, etc. A moeda social tem sua função quando uma troca direta não é possível. Quando um amigo não quer trocar seu livro pelo pedaço de bolo oferecido pela amiga, entra em ação a moeda social. Esta moeda, somente tendo validade dentro do grupo e no espaço da feira, pode ser utilizada na aquisição de qualquer outro bem, produto ou serviço oferecido.
• O que é necessário para participar de uma feira de troca
Determinação para mudar hábitos de consumo;
Reconhecer os itens que podem ser trocados e selecionar aqueles que estão em boas condições;
Reconhecer os saberes que já possuímos e podem ser úteis para outros;
Disponibilizar nossos serviços com valor da troca pautado pela necessidade mútua e não pelo mercado vigente;
Cooperação, generosidade, paciência e muita diversão.
• Como participar da feira de troca do Céu Aberto
Comparecer no local e na data marcados com os itens, serviços e saberes disponíveis;
Trazer algum ITEM DE CONSUMO BÁSICO (alimento ou produto de limpeza) que será doado para o banco ecológico como condição para participar da feira.
Procurar um lugar para expor seus produtos, saberes ou serviços.
• Como fazer a troca
Dê preferência para a TROCA DIRETA, ou seja, procure na feira o que você necessita e ofereça seu produto/saber/serviço em troca negocie, use a criatividade, divirta-se!
Caso não consiga fazer a troca direta e já tenha tentado todas as possibilidades procure o banco ecológico para trocar seu produto por moedas sociais e, então, efetuar a troca indireta (moeda por produto).
Troca Indireta: vá até o banco ecológico com seu produto/serviço/saber e receba as moedas no valor do produto apresentado. Essa valoração será feita por você com orientação da comissão da feira. Lembrar sempre que o valor não deve ser o do mercado vigente. Com a moeda social você poderá trocar pelo item que necessita.
Moeda Social: a moeda Céu é válida somente na feira do céu aberto. Todos as feiras você poderá trazer seus céus e trocar por itens que necessita. Não se apresse em devolver as moedas, exercite a paciência. Nós garantimos a continuidade da feira de troca do céu aberto.
Troca da moeda social: caso você não tenha mais interesse em participar da feira de troca, o banco ecológico receberá suas moedas de volta e em troca dará alguns dos produtos de consumo básico que formam o lastro do banco. A relação de troca, moeda por produto do banco ecológico, é definida pela comissão da feira de troca.
• Compromissos e acordos entre comissão da feira e expositor
Compromissos da feria de troca do Céu Aberto
A comissão da feira de troca do céu aberto se compromete promover uma feira bimensal.
Caso a feira do Céu Aberto não venha mais existir, todas as moedas sociais serão trocadas por itens do banco ecológico.
A comissão da feira se compromete a arrumar o local para feira, receber os expositores e fazer o desmonte da feira.
A comissão da feira não se responsabiliza pela qualidade dos produtos/saberes/serviços oferecidos.
Compromissos dos expositores
O expositor se compromete a trazer para a feira somente produtos de qualidade. Traga para a troca aquilo que você gostaria de receber.
O expositor se compromete a manter a coerência ecológica, ética e moral ao oferecer seus produtos/saberes/serviços.
É de total responsabilidade do expositor a qualidade e funcionamento do item oferecido.
É Proibido:
Circular dinheiro na feira de trocas.
Circular cigarros e bebidas alcoólicas.
Inflacionar produtos/saberes/serviços.
Circular produtos piratas, em mau funcionamento, estragados, ou com conteúdos eróticos. A origem do produto é de responsabilidade do expositor.
Trocar animais vivos e mortos.
Crianças até 12 anos poderão participar com a presença dos pais.
Adolescentes poderão participar com autorização dos pais ou responsáveis.
Luzia Castañeda