
Não é sobre a história, mas como se conta uma história. Isso é o que os críticos dizem. Basicamente. Uma obra literária é tão complexa quanto o for sua forma. E a história? Não interessa. Aliás, não interessava. Parece que ultimamente a trama tem ganhado destaque na crítica. Destaque que sempre teve para os leitores.
Sim. A maioria dos leitores não está nem aí para como o escritor escreve. O leitor quer uma história que valha a pena. Uma história que entretenha. Uma história que o tire da obviedade que é a vida cotidiana e o leve para uma viagem fabulosa em algum universo paralelo.
É. E os escritores? Onde ficam no meio disso? Agradar ao público ou à crítica? A resposta parece longe de ser encontrada, mas arrisco um palpite: que o escritor fique com o que lhe agrade. Óbvio? Sim. Seguir a velha máxima: se você faz o que gosta, será bom nisso. E, sendo bom nisso, a chance de ser lido é maior, não? E creio que seja isso que todo escritor almeja.
Talvez pensando nesse dilema, Kurt Busiek tenha escolhido escrever sobre super-heróis e escrever bem sobre isso. O nome da obra é Astro City, uma série de quadrinhos, ou, como os americanos chamam, comic books. No Brasil, foram traduzidos “Inquisição” e “O Anjo Caído”. O prefácio do primeiro é feito por Neil Gaiman, de quem iremos falar em uma publicação futura. O prefácio do segundo é feito por nada menos que Frank Miller, que discorre sobre a trajetória dos quadrinhos, a crise que viu na criação e a esperança ressurgindo com essa nova história.
Astro City é uma ótima obra, história e forma. Em “O Anjo caído” a linguagem e a arte lembram o clima sombrio dos filmes noir, e são o retrato de seu personagem principal, o homem-blindado, ou melhor, o homem que havia sido um dia o homem-blindado. Hoje ele é Carl, um ex-detento tentado viver decentemente. A tarefa é difícil, já que ele mora e vive próximo de criminosos. A trama fica ainda mais complicada quando ele se vê no meio de um mistério, afundando-se cada vez mais em um esquema do qual ele não faz a mais remota ideia de como resolver. Carl é um homem comum, na medida do possível, tentado fazer o melhor que pode, mostrando que isso talvez seja o bastante.
Para o leitor que quer aventura, essa é a chance de entretenimento sem obviedade. Para a crítica, uma excelente oportunidade de rever o preconceito em relação aos quadrinhos. Boa leitura!
Saudações Literárias,
Equipe Ofício Editorial
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Colunista Rodrigo Nascimento e Érica Bombardi
Frank Miller (27 de janeiro de 1957, Olney, Maryland) | Escritor e desenhista de histórias em quadrinhos, conhecido pela linguagem elaborada e clima noir. Entre suas criações mais conhecidas estão a caracterização de Elektra para os quadrinhos, a obra Sin City e O cavaleiro das trevas, e a versão de 300.
Neil Gaiman (10 de novembro de 1960, Portchester) | Escritor de quadrinhos, contos e novelas. Seu primeiro quadrinho de sucesso foi Black Orchid, seguido de uma série de produções grandiosas, como a série Sandman, e outros tantos livros, como Anansi Boys, Good Omens, American Gods, Neverwhere, Stardust, Coraline, The GraveYard Boy etc. etc. etc. Neil Gaiman deve ser o escritor de fantasia e ficção mais premiado na atualidade. Mais sobre ele, por ele mesmo:
http://twitter.com/neilhimself
Crítica Literária | Se você quer conhecer a crítica, pode começar pela leitura dos críticos do cadernos Prosa e Verso, do jornal O Globo. Pode ler na net http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/
Astro City | Publicada no Brasil pela Editora Devir: http://www.devir.com.br/hqs/astrocity2.php

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