“Pior do que tá não fica... ou fica?”
A democracia brasileira é uma beleza. Nas eleições passadas elegemos figuras bizarras, e tudo leva a crer que neste ano o fenômeno se repetirá.
O conceito que a política alcançou entre nós chega ao fundo do poço com esta pergunta ao eleitor feita pelo palhaço Tiririca, candidato nesta eleição: "O que é que faz um deputado federal?" E ele mesmo responde: "Na realidade, não sei.
Mas vote em mim que eu te conto." Ninguém se deve surpreender se este candidato conseguir os votos necessários para fazer chiste (fazer piada) no palco do Congresso.
Afinal, para a eleição deste ano mais do que em outros anos apareceram “figuras” não tão integradas ao mundo da política, como Maguila, Moacir Franco, Netinho de Paula, Marcelinho Carioca, Romário, Vampeta, Batoré, Reginaldo Rossi, Leandro do KLB ou a pleiteante conhecida como Mulher Pera!
O caso mais curioso desta eleição é o do futuro deputado-federal Tiririca (você tem dúvidas que ele se elegerá?). O comediante é candidato realmente de chacota, e está sendo cotado como aposta pela coligação do PT/SP como o puxador de votos.
Candidatos como ele só se elegem em função da bizarra legislação eleitoral no Brasil, onde você não disputa a eleição com ninguém, a não ser contra você mesmo, ou melhor, contra seu partido.
Como a votação é proporcional por partido, isto é, cada partido elege a quantidade de votos proporcionalmente à votação de sua coligação, os adversários de um candidato passam a ser seus colegas de partido/coligação. A briga é para chegar à frente da chapa!
Será que a razão para profissionais de outros nichos ingressarem no mundo da política tem que ver com a eleição de uma figura de origem humilde para o cargo mais importante da Nação?
Será que, com sua ascensão, Lula teria aberto o caminho para qualquer pessoa, da mais simples à mais elevada, sentir-se motivada a pleitear os postos eletivos da República?
As celebridades de outros nichos, que pertencem a um seleto mundo, expostas à fosforescência das mídias, compõem uma identidade tal, tornando-se figuras modelares em que se espelham as massas como um protesto ao comportamento indigno dos atuais Políticos que representam o povo brasileiro?
Quanto mais famosa, as celebridades, ou ridículas, mais eleitores arrebanhará, desvendando estratégia de esperteza e oportunismo, a expansão da deterioração dos padrões políticos.
Plagiam-se propostas, troca-se a ética pela estética e até a imitação da voz de artistas é usada para capturar a atenção de eleitores e conquistar seu voto. ( “Oi Gente!”).
Quase oito anos depois, o Brasil desliza na pista da política.
A economia estabilizou-se, a inflação foi domada, os movimentos sociais se organizaram, a renda passou a ser distribuída aos mais carentes e a vida até ficou mais cômoda para os bolsos.
A política, porém, continua velha. E a abrigar, de modo passivo, o vulgar desfile nos programas eleitorais de cacarecos, quadros debochados e celebridades oportunistas.
O slogan do palhaço Tiririca soa como profecia duvidosa: "Pior do que tá não fica. Havendo quem por oportuno indague que: ”Pior que tá fica”!
Diante do triste cenário de candidatos para as eleições de 2010, que vão decidir o futuro da Nação Brasileira, só nos resta entender, ao menos que nessa eleição, estaremos exercendo o direito de democracia, de forma eletrônica, para eleger o Futuro Presidente do Brasil, Deputado Federal, Deputado Estadual/Distrital, dois Senadores, Governador de Estado e aguardar o final da Grande Comédia!
Grande Abraço e até dia 03 de outubro de 2010!
VALÉRIA REANI
ADVOGADA
MANTENEDORA da Web site: www.valeriareani.com.br
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