Por Marita Siqueira - Da AGENCIA ANHANGUERA, saiba mais, clique aqui
O Almanaque Café, em Barão Geraldo, selecionou grandes nomes da música brasileira para celebrar os dois anos da casa. A festa começa nesta terça-feira (24), com a apresentação do saxofonista Héctor Costita, convidado da banda Alma Trio. A programação inclui São Paulo Ska Jazz, Lester Bangs, Vanessa Costa e Choro pro Santo, terminando, no domingo (29), com a música latina do grupo Azúcar.
As expectativas estão redobradas para quinta-feira (26), quando a dupla Joyce e Tutty Moreno (foto ao lado) assumem a festa. Para melhor definir Joyce, vale emprestar os dizeres de Antonio Carlos Jobim, em 1987: “Uma das maiores cantoras de todos os tempos! Como se não bastasse, Joyce é uma grande compositora e toca todo aquele violão! Êta mulhézinha danada!”. Do casamento com o baiano Tutty, nasceu o álbum ‘Samba-Jazz & Outras Bossas’, saudado pela crítica internacional como o de “uma das mais prolíficas parcerias musicais no jazz e na música brasileira”. O trabalho, que dá nome ao show, foi lançado no Exterior em 2007, mas apenas no ano passado chegou ao Brasil.
“O contato com públicos diferentes é sempre muito válido. Dá uma satisfação no sentido de reconhecimento do trabalho. Assim, sempre temos que trazer trabalhos novos”, diz Joyce. Ainda neste semestre, ela adianta, será lançado o CD ‘Aquários’, em parceria com João Donato.
Joyce foi a primeira compositora a se expressar com linguagem feminina e em primeira pessoa na história da MPB. “Fui muito criticada na época. Hoje, muitas mulheres fazem. Acho que vai ser legal quando chegar o momento de não precisar dizer ‘mulher compositora, mulher instrumentista’ e falar apenas compositora, instrumentista”. Exemplo disso foi a canção ‘Me Disseram’, classificada no 2º Festival Internacional da Canção (RJ). A melodia iniciava com a frase “Já me disseram/ que meu homem não me ama”. A compositora, estreante de 19 anos, foi taxada de “vulgar e imoral”.
Héctor Costita
A banda Alma Trio (Felipe Silveira, Daniel “Pézim” e Helder Samara) abre a semana com o toque jazzístico do saxofonista Héctor Costita, referência instrumental da música brasileira. “Argentino com o coração brasileiro”, como bem definiu o compositor Sérgio Mendes (com quem se apresentava no Sexteto Bossa Rio, no início da década de 60), Costita traz a Campinas um repertório 70% próprio.
Costita iniciou seus estudos aos 13 anos, com clarinete. Seis anos mais tarde, o saxofone o conquistou. Recebeu um convite do maestro Lallo Schifrin para participar da sua big band. Lá, descobriu o jazz. Em1958, veio ao Brasil participar de uma turnê com o pianista Roberto Inglez. Juntou-se à Orquestra do Simonetti e nunca mais voltou ao seu país. Atualmente, é professor no Conservatório Dramático Musical Dr. Carlos de Campos, em Tatuí (SP).
“Me identifiquei com o Brasil. As coisa foram acontecendo. Meus colegas argentinos nunca entenderam”, brinca. “Tive o privilégio de chegar no Brasil na época mais rica da música brasileira, nos anos 60. Era o auge da bossa nova e me interessei muito desde o surgimento. Tem a ver com o jazz”, diz. Segundo ele, os principais expoentes da bossa nova também tocavam jazz. “Surgiu a oportunidade de associar sem fugir das raízes e tradições locais. As melodias e harmonias são semelhantes.” Nesta época, Costita conviveu e tocou com grandes nomes como Tom Jobim, Chico Buarque, Edu Lobo e Elis Regina.
Aniversário de 2 anos do Almanaque Café (Av. Albino José Barbosa de Oliveira, 1.240 - Barão Geraldo) – Campinas.
Telefone: (19) 3249-0014.
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