As autoridades de saúde de Campinas estão em alerta para os risco da dengue nesse período pós-Carnaval. A preocupação da Secretaria de Saúde é com o número de infectados em outras cidades, principalmente das regiões Oeste e Litoral do Estado — que hoje enfrentam o risco de epidemias.
Outro fator de atenção é o resultado de um levantamento sobre a infestação de larvas do mosquito Aedes aegypti, realizado no final de dezembro, que acusou índice de 3,3, o maior já identificado no município neste mês desde 2001.
De acordo com as autoridades, qualquer média acima de 1,0 é considerada preocupante já que significa maior risco de transmissão. “O índice de infestação corresponde à presença do mosquito na cidade, mas nossos casos de diagnósticos ainda estão baixos. O problema é se o mosquito picar alguém doente e iniciar um novo processo de transmissão aumentando os casos”, explica o médico sanitarista André Ribas Freitas, coordenador do Programa de Dengue na Vigilância em Saúde de Campinas.
A pesquisa — que consiste em trabalhar áreas, por amostragem, em todas as regiões da cidade — forneceu o número de criadouros com larva do mosquito da dengue a cada cem domicílios, o chamado índice de Breteau. “Esse índice preocupa nesse sentido já que, com maior números de mosquito, seria mais fácil uma transmissão em massa. Mesmo assim, não acreditamos em riscos de uma nova epidemia em Campinas neste momento. O importante é que viajantes para cidades como Guarujá, São José do Rio Preto, Araçatuba e Ribeirão Preto procurem o médico assim que apresentarem sintomas. Os que viajaram para Salvador, Recife ou mesmo Rio de Janeiro também precisam ficar atentos”, explica.
Em 2010, Campinas registrou 14 casos autóctones de dengue, 18 importados e dois ainda estão em investigação sobre o local provável de infecção. Em 2008, no mesmo período, eram 11 autóctones, sete importados e dois em investigação. Em todo o ano de 2007, foram 11 mil casos.
Áreas de risco
As áreas de maior risco em Campinas atualmente são os bairros Jardim São Domingos, Santa Mônica e Barão Geraldo. “Os dados são preocupantes e, embora a situação epidemiológica ainda esteja tranquila, temos vários municípios do Estado com epidemia, o que pressiona a entrada de vírus em Campinas”, diz o médico sanitarista.
Preocupados com a ameaça de uma nova epidemia, moradores do Condomínio Alexander Fleming, na Rua Padre Almeida, no Cambuí, pedem para que o proprietário de um bar próximo retire uma lona usada para cobrir algumas mesas que acumula água e se transforma num grande criadouro do mosquito. De acordo com o síndico, Eduardo Camargo, diversas solicitações foram feitas ao estabelecimento, em vão.
Fonte: Adriana Giachini
Da Agência Anhangüera
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