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03.11.2009

Dia do Cabeleireiro

Por Ricarda Canozo

O que te faz optar por um corte de cabelo? Um que combine com o formato do seu rosto? Um que seja prático e não dê muito trabalho? Que esteja na moda, ou o da mocinha da novela? Hoje, dia do cabeleireiro, em entrevista com cabeleireiras de Barão Geraldo, observa-se que a referência da maioria das pessoas que freqüentam os salões do distrito ao escolher um corte é algum que pode ser visto nas novelas.

De acordo com a cabeleireira Vanessa Moura da Silva, “as pessoas pensam mais no que está na moda na hora de escolher o corte, na novela, sempre em alguma referência da mídia. E não se combina com o tipo de rosto ou personalidade, aí nós [cabeleireiros] que falamos - olha, assim eu acho que não fica muito bom porque seu rosto é redondo ou a testa é meio grande etc.”

De acordo com a cabeleireira, na hora de fazer a escolha do corte, deve-se levar em consideração o tipo de rosto, corpo e estilo de vida. Esta técnica de analisar qual corte se adapta mais a alguém se chama visagismo.

No salão da cabeleireira Fran de Oliveira, os padrões de beleza também são reproduzidos, “a moda influencia totalmente, a novela que dita o novo corte de cabelo. Por mais que a gente faça os cursos de reciclagem, temos sempre que assistir às novelas pra saber qual é a tendência de corte que a tevê dita.”

Os cortes que Vanessa mais tem feito são os desconectados, “bem desfiados na frente, não aquela coisa muito certinha”, explica. No salão em que Fran trabalha também, “o pessoal pede mais esses cortes desconectados, feitos em camadas, com fios desiguais, tanto em cabelos curtos como em longos.”

Como os padrões de beleza ditados pela mídia e mostrados nas novelas são reproduzidos nos salões de beleza, os cabeleireiros lembram sempre seus clientes de que “não é só cortar o cabelo e pronto, temos que ressaltar que os cabelos nas novelas são sempre escovados,ou com baby Liz, e que certos tipos de cortes não são fáceis de manter”, lembra Vanessa.

Fran tem dois tipos de clientes, os que querem um “corte prático, sem ter que escovar” e os que querem um corte independente de ter trabalho para mantê-lo ou não.

A maioria da clientela de Vanessa “é fiel, já atendemos há bastante tempo, mas como aqui tem bastante estudante, acaba sendo bem rotativo porque os estudantes voltam pras suas cidades.”

Sobre a relação com os clientes, Fran afirma que a maioria “são freqüentadores antigos [de 16 anos atrás, tempo em que trabalha em Barão] ou indicados por estes mais antigos.”

Para Vanessa, “o mais legal [em ser cabeleireira] é que você trabalha com a auto-estima das pessoas, que saem daqui contentes, realizadas com os cabelos.”

Fran atribui a satisfação com a profissão às pessoas que chegam no salão quando não estão muito bem e saem de lá diferentes e também a quando os clientes deixam –na à vontade para fazer a transformação que quiser.

Uma desvantagem da profissão de cabeleireiro, Vanessa atribui ao fato de não conseguir suprir a “ilusão de felicidade”, muitas vezes buscadas nos salões de beleza, “algumas pessoas entram aqui e querem se realizar com o corte, suprir um problema que na verdade não é o corte, é alguma coisa interna”, explica a cabeleireira.

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