Por: Patrícia Cholakov, às 21:50h
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Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, algumas profissões continuaram sendo predominantemente realizadas por homens e algumas outras foram abraçadas pelas mulheres, como as relacionadas a “cuidados” e processos educacionais. Com a conquista feminina em relação a espaço e aceitação para realizar outras tarefas, mulheres migraram para profissões até então realizadas apenas por homens, formando uma lacuna e um déficit de profissionais nas áreas determinadas “femininas”.
Ao contrario dos que muitos pensam, alguns homens trabalham em profissões dominadas por mulheres e não sofrem preconceito. Para Fábio Glingani, esteticista, o fato de ser um homem trabalhando com tratamentos estéticos tem sido para ele um ponto positivo, que desperta curiosidade nas pessoas. “As pessoas realmente estranham um pouco, pois estão acostumadas a encontrar mulheres nessa área”, comenta.
O profissional é formado em Recursos Humanos e trabalhou como comissário de vôo durante nove anos. Apaixonado por trabalhos que lidam diretamente com pessoas, Fábio se interessou pela área de dermocosmetologia facial e corporal, realizou cursos e atua na profissão há dois anos.
Em sua clínica, predomina o público feminino. Em parceria com o cabeleireiro Arthur, Fábio atende suas clientes com um diferencial importante: almoça junto a elas, prepara uma mesa para café da tarde, conversa, conhece e mantém o contato durante e depois do tratamento. “Sempre ligo para as clientes, para saber dos resultados e necessidades. Durante o tratamento, gosto de explicar o que será feito e o porquê”, afirma.
Ao menos uma vez por ano, os profissionais viajam a Paris para o Congresso, para se manterem atualizados. “Nossas clientes exigem isso. Muitos profissionais não se preocupam em se atualizar; seguem o protocolo e não estudam, não descobrem novidades. Além disso, faltam profissionais atuando nessa área e cursos profissionalizantes”, diz Fábio.
A preocupação com o ambiente agradável, a música, os aromas e a iluminação da clínica mostram a sensibilidade do profissional, que quebra ainda mais os tabus de gênero e a ideia de que homens não devem trabalhar em áreas que exigem cuidado e sutileza. Para Fábio, o respeito e a ética são fundamentais. “Minhas clientes têm toda a privacidade durante as sessões. Eu não fico presente enquanto elas se trocam, bato na porta sempre que vou entrar e as deixo a vontade para que permaneçam de bikini se preferirem. Além disso, cubro as partes íntimas com toalhas, garantindo que elas se sintam seguras”, esclarece.
Segundo o esteticista, já houve casos em que os maridos acompanharam as esposas nas sessões, pelo profissional ser homem. A partir daí, encararam a situação de outra forma, já que notaram o respeito e a ética de Fábio. Segundo o profissional, homens também se sentem bastante à vontade em seus tratamentos. “Acredito que para o público masculino seja mais natural que o tratamento seja feito por outro homem. Uma mulher pode inibi-lo, mas isso varia de pessoa para pessoa”, opina.
O sucesso da clinica de Fábio Glingani explicita uma mudança no comportamento social, referente à aceitação do público. O mercado de trabalho está aberto a todos, exigindo competência e paixão por aquilo que se faz.
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