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06.06.2010Moradores de Barão Geraldo continuam em ação para melhoria do Ribeirão das Pedras

Por: Patricia Cholakov, às 21:15h
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Diante da situação de degradação do Ribeirão das Pedras, moradores da região iniciaram atividades voluntárias no dia 24 de abril deste ano e continuam em ação, neste primeiro bimestre, para melhorias como limpeza e plantio de mudas. A parceria realizada pela AMOC – Associação dos Moradores da Cidade Universitária - com o Grupo Ecos Bikers, Escola Curumim, Sub Prefeitura de Barão Geraldo, Unicamp e Sanasa, deu o primeiro passo do projeto “No meio do caminho tem o Ribeirão das Pedras”, que visa à recuperação da mata ciliar e manutenção das margens do ribeirão.

A ação ambiental realizada no último 24 de abril contou com a colaboração de aproximadamente 200 pessoas, entre crianças e adultos, e gerou o plantio de cerca de 500 mudas, que foram doadas pela Sanasa, empresa envolvida na manutenção da região, por motivos determinados no TAC- Termo de Ajustamento de Conduta, que pretende compensar a degradação ambiental de empreendedores.

Em 18 de março de 2010, Campinas recebeu o prêmio nacional de Melhor Plano de Gestão Ambiental, concedido pelo Ministério do Meio Ambiente, por conta do Parque Linear do Ribeirão das Pedras, que tem origem próxima à caixa d’água do Alto do Taquaral e atravessa Barão Geraldo com 10 km de extensão. O prêmio culminou na indignação dos moradores, que advertem que a região se encontra em situação de calamidade, pois o que se observa no Ribeirão é o mau cheiro, construções que não condizem com a distância prevista por lei e situações freqüentes de alagamento nos bairros.

A bacia tem 29,7 km2 e possui cerca de 36 mil habitantes nas proximidades. O risco eminente de poluição do Ribeirão compreende na má administração de esgoto e despejo de resíduos químicos de empresas privadas. Estudos realizados pela Unicamp apontaram 120 pontos de contaminação ao longo do Ribeirão.

O ambientalista e membro da comissão de meio ambiente da AMOC, Eduardo Bazém, afirma que as reclamações dos moradores são referentes às precariedades das condições atuais da região e da falta de embasamento e esclarecimento dos critérios estabelecidos pelo Ministério do Meio Ambiente, que dirigiu ao Parque Linear do Ribeirão das Pedras o prêmio nacional de Melhor Gestão Ambiental.

Segundo o Secretário do Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Campinas, Paulo Sérgio Garcia de Oliveira, a implantação do projeto foi efetiva em apenas um dos vinte e três trechos do Ribeirão das Pedras. A conclusão dos outros vinte e dois trechos não depende apenas da Prefeitura, mas da ação dos empreendedores da região, que devem cumprir o TAC. Segundo afirmação do secretário, cerca de 50 milhões de reais foi destinado ao projeto, criando a Estação de Tratamento de Esgoto de Barão Geraldo, que ameniza o problema do despejo de esgoto in natura no Ribeirão. A implantação de “piscinão” ameniza, segundo o secretário, desde 2001, os problemas de enchentes.

A ementa do projeto aponta que após a implantação do “piscinão”, três chuvas fortes comprovaram a eficácia do projeto, o que não condiz com a realidade, visto que em 2009, moradores tiveram suas casas inundadas e o transito se tornou caótico nas proximidades da bacia, por falta de escoamento.

Para a moradora de Barão Geraldo e participante do grupo atuante da Rua Heitor Nascimento, Sandra Ramos, não basta que os grupos empreendedores plantem mudas e façam a limpeza do terreno. “Para que as margens do Ribeirão sejam recuperadas, as empresas devem respeitar o TAC, realizando a manutenção da região com freqüência. Em dois meses de descuido, as mudas plantadas deixam de crescer e o mato toma conta do local”, explica a moradora.

Para o Secretário, a participação da população na implantação dos projetos é fundamental. “Nós procuramos promover reuniões com os moradores, para discutir o progresso do projeto e incentivá-los a colaborar, para que estes incorporem os nossos objetivos de melhoria e passem a defendê-los”, afirma Paulo Sérgio.

O ambientalista Eduardo Bazém também acredita que a participação da comunidade no projeto é de extrema importância, já que o cuidado com o local é de responsabilidade de todos e faz parte do exercício da cidadania. Porém, Eduardo ressalta a importância da iniciativa da Prefeitura para projetos de lazer e bem estar, assim como a preocupação com o meio ambiente. “Espero ser surpreendido pela Prefeitura de Campinas quando a implantação do projeto estiver concluída. O projeto desenvolvido no papel é excelente, mas não condiz com o que se vê atualmente na região”, esclarece o ambientalista.