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27.06.2011

Morre o ex-reitor Paulo Renato Souza

Fonte: www.unicamp.br

O ex-reitor da Unicamp e ex-ministro da Educação, Paulo Renato Souza, faleceu na noite deste sábado(25), vítima de infarto fulminante em São Roque, interior do Estado. O velório acontece na Assembleia Legislativa de São Paulo e o sepultamento será realizado nesta segunda-feira (27), às 10 horas, no cemitério do Morumbi.

"Trata-se de uma perda muito grande para a área de Educação no Brasil", lamentou o reitor da Unicamp, Fernando Costa. Segundo ele, Paulo Renato teve atuação de destaque na institucionalização da Universidade bem como para toda a área de Educação no País. "Além disso, desempenhou papel fundamental no processo de autonomia financeira e de gestão das três universidades estaduais paulistas", completou o reitor.

Formado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Paulo Renato Costa Souza assumiu a reitoria da Unicamp em 1986, permanecendo quatro anos à frente da Universidade. Em sua gestão foram criadas as pró-reitorias de Graduação, de Pesquisa, de Extensão e Assuntos Comunitários, de Desenvolvimento Universitário e de Pós-Graduação. Ainda na área administrativa, o Conselho Universitário (Consu) substituiu o Conselho Diretor como órgão máximo da Universidade, que assim completou o seu processo de reforma institucional.

Foram inaugurados no período o Hospital de Clínicas (HC) e o Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), assim como foi desmembrada da Faculdade de Engenharia de Campinas (FEC) - hoje Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e urbanismo, - a Faculdade de Engenharia Elétrica (FEE), que depois viria a se denominar Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) . A Universidade adquiriu na gestão de Paulo Renato um importante centro de pesquisas das Indústrias Monsanto, localizado nas proximidades do campus, logo transformado no Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA).

Ao deixar a Unicamp, Paulo Reanato foi ministro da Educação no governo Fernando Henrique Cardoso e secretário de Educação do Estado de São Paulo no governo José Serra. Entre suas principais realizações está a criação do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio). Entre outras funções, integrou o quadro da ONU (Organização das Nações Unidas) em temas ligados a empregos e salários, foi vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington e o presidente da Abmes (Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior).

Paulo Renato Costa Souza

Gestão 18-4-1986/18-4-1990

Nasceu na cidade de Porto Alegre, no dia 10 de setembro de 1945. Graduou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1967. Realizou o mestrado também em Ciências Econômicas pela Universidade do Chile de 1969 a 1970 e doutorou-se pela Unicamp em 1980.

Suas atividades didáticas iniciaram-se em 1969 no Instituto de Planificação Econômica e Social (Ilpes), no Chile, passando depois por muitas outras instituições de ensino nacionais e internacionais.

Em 1979, foi contratado pela Unicamp como professor do Instituto de Economia. Nessa função, além do desenvolvimento de atividades didáticas, exerceu também atividades de assessoria junto a outras instituições, das quais destaca-se a de consultor da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) da ONU (1981-1982).

Foi eleito presidente da Associação dos Docentes da Unicamp (1979-1981) e em 1982 foi designado assessor de desenvolvimento universitário. A partir de 1983, colaborou com o Governo do Estado e chegou a ocupar, em 1984, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

O professor Paulo Renato destacou-se pelos inúmeros trabalhos que já publicou, como livros, artigos em revistas especializadas e na grande imprensa, e também pela sua participação em seminários, conferências e debates, em nível nacional e internacional.

Com o programa Unicamp: Democracia e Qualidade, que tinha como pontos básicos: 1) Ensino e Pesquisa, 2) Integração universidade-comunidade, 3) Institucionalização e reforma administrativa; venceu a consulta à comunidade universitária com 51% dos votos e foi nomeado, pelo governador André Franco Montoro, reitor da Unicamp.

Sua gestão caracterizou-se por uma forte política de investimento na pesquisa e foi o período em que, conquistada a institucionalidade, chegou-se à autonomia universitária.

Destaques da gestão

  • Instalação do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética
  • Aquisição do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas - CPQBA
  • Instalação do Conselho Universitário em substituição ao Conselho Diretor
  • Instalação de cinco pró-reitorias
  • Implantação de Vestibular próprio, com a eliminação dos testes de múltipla escolha
  • Construção da Biblioteca Central
  • Construção da Faculdade de Engenharia Mecânica
  • Inauguração do Cecom
  • Projeto de moradias universitárias
  • Criação do Fundo de Apoio à Pesquisa

* Dados retirados de matérias publicadas no Jornal da Unicamp (março de 1990, março de 1994 e abril de 1994), no Relatório de Gestão (1986-1990) e no memorial do professor, elaborado por ocasião de seu concurso para professor titular (1985).

Cronologia

1986 - O economista Paulo Renato Costa Souza assume a Reitoria. São criadas cinco pró-reitorias: de Graduação, de Pesquisa, de Extensão e Assuntos Comunitários, de Desenvolvimento Universitário e de Pós-Graduação. São inaugurados o Hospital das Clínicas (HC) e o Centro de Saúde da Comunidade (Cecom). É desmembrada da Faculdade de Engenharia de Campinas (FEC) a Faculdade de Engenharia Elétrica (FEE). A Universidade adquire em novembro um importante centro de pesquisas das Indústrias Monsanto, localizado nas proximidades do campus, logo transformado no CPQBA. O Conselho Universitário (Consu) substitui o Conselho Diretor como órgão máximo da Universidade, que assim completa o seu processo de reforma institucional.

1987 - Reformulado integralmente o exame vestibular da Unicamp. Foram abolidos os testes de múltipla escolha e valorizadas as questões dissertativas. Com o auxílio da Petrobras, foi criado o Centro de Estudo do Petróleo (Cepetro), onde foram realizadas pesquisas e ministrados os cursos de mestrado em geoengenharia de reservatórios e engenharia de petróleo. Criou-se o curso de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e o Sistema de Informação de Pesquisa (Sipe). Foi concluído o complexo hospitalar da Universidade, centro de referência para uma região de quatro milhões de habitantes. Físicos da Universidade participaram de programa na Antártida.

1988 - Foi instalado o primeiro curso noturno da Universidade, o de Matemática. Como reflexo das mudanças no Vestibular Unicamp, o número de inscritos subiu de pouco mais de 13 mil no ano anterior para cerca de 35 mil. Começou o curso de graduação em Música Popular e de pós-graduação em História da Arte e da Cultura. A Unicamp promoveu, em Campinas e no Rio de Janeiro, a Feira de Tecnologia, visando estreitar suas relações com a indústria. Na Universidade, realizou-se o Seminário Brasil Século XXI, que discutiu as perspectivas econômicas, sociais, tecnológicas e culturais do País para o próximo século. Foi implantado o quadro de carreiras dos servidores. O Hemocentro, criado em 1985, tornou-se modelo para o Programa de Controle Emergencial de Hemoterapia e Hematologia implantado em todo o Estado de São Paulo. Foi inaugurado o Espaço Nudecri (Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade) e criada a Pré-Escola da Unicamp. A Faculdade de Engenharia de Limeira (FEL) mudou-se para o campus de Campinas e passou a ter a denominação Faculdade de Engenharia Civil (FEC). No campus de Limeira, passou a funcionar o Centro Superior de Educação Tecnológica (Ceset).

1989 - A Unicamp reequipou seus laboratórios. Adquiriu o computador IBM 3090, o primeiro a ser instalado numa Universidade latino-americana, e inaugurou em modernas instalações a Biblioteca Central, de onde eram geridas 20 bibliotecas setoriais. Instalaram-se a Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) e a Faculdade de Engenharia Química (FEQ), como desmembramento da antiga Faculdade de Engenharia de Campinas (FEC). Foram criados os cursos de pós-graduação em Saúde Mental, e Artes, e de graduação em Engenharia da Computação. Surgiram o Centro Interno de Economia Sindical e do Trabalho (Cesit), o Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) e o Centro de Documentação de Música Contemporânea (CDMC), além do Sistema de Arquivos (Siarq) e o Museu Ecológico de História Natural da Unicamp. Entraram em funcionamento no Hospital das Clínicas (HC) o Centro Cirúrgico e a Unidade de Terapia Intensiva, que estavam em local provisório. O campus teve ampliada consideravelmente sua área física, principalmente no conjunto de Engenharia Mecânica. As universidades estaduais paulistas (Unicamp, USP e Unesp) conquistaram a autonomia institucional e financeira do Governo do Estado. Foram entregues as 30 primeiras casas da Moradia Estudantil.

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