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10.03.2010

O yoga pode modificar o seu modo de pensar, sentir e de ser.

por Vanessa G. Malagó*

Hipócrates, pai da medicina ocidental, já se referia há mais de 2000 anos atrás sobre a influência da mente sobre o corpo. Na cultura oriental há textos de mais de 5000 anos atrás que tratam da mente e do corpo de forma integrada. Entretanto, a partir do século XVII, a idéia preconizada por Descartes de uma divisão entre corpo e mente acabou por se difundir no pensamento ocidental.

Só no final do século XIX e início do século XX é que o conceito de integração corpo-mente voltou a ser revisto.

Hoje é comum admitirmos que problemas como estresse ou depressão afetam diretamente o corpo e a saúde física.

Quantas vezes não escutamos: “fulano passou tanto stress que teve uma úlcera”. Mas, e o contrário? O corpo também não influencia a mente? A idéia de que o corpo espelha nossas emoções e sentimentos está expressa continuamente na linguagem do cotidiano: “Ele é um sujeito casca-grossa”.... “Ela tem os pés no chão”. Usamos expressões como essas no nosso dia-a-dia, e muitas vezes, nem nos damos conta dessa relação. Se o corpo expressa nossas emoções, não seria então possível através do trabalho com o corpo, influenciar estados emocionais e mentais?

Essa é justamente uma dos propostas do hatha yoga, uma das linhas de yoga que utiliza o corpo como instrumento para a descoberta de si mesmo. O hatha yoga propõe que se parta daquilo que nos é mais concreto, nosso próprio corpo, para então atuar nas dimensões emocional e psíquica.

É fácil perceber no corpo o impacto de uma alteração emocional. Sob tensão, enrijecemos os ombros. Quando ansiosos, a respiração acelera. Amendrontados, contraímos os músculos abdominais e prendemos a respiração. Nosso corpo se expande e se contrai, como resposta às diversas situações que enfrentamos em nosso dia-a-dia. As emoções acontecem através do corpo e mudam nossa forma. Em algumas situações, sob um estresse emocional contínuo, o corpo pode fixar-se numa determinada estrutura, criando uma couraça ou uma espécie de armadura emocional. Nesse caso, para interferir num estado emocional ou mental, é necessário muito mais que a intenção consciente por parte do índividio, é preciso romper esse bloqueio para que a mudança se concretize. É preciso mudar também o corpo, saindo de seus automatismos.

O yoga trabalha com descondicionamentos e a proposta dessa prática é interferir onde as emoções interferem, trabalhando com a respiração e explorando exercícios físicos que atuem sobre o tônus muscular e o alinhamento postural.

Através dos asanas (posturas) desprogramamos as memórias de nosso corpo físico, organizamos e desorganizamos padrões.

Em nosso dia-a-dia, diversas atividades que desempenhamos nos levam a nos curvar para frente.

A ação de curvar para trás, exigida por algumas retroflexões trabalhadas numa aula de hatha yoga, pode trazer um novo paradigma, envolvendo a construção de uma forma distinta daquela que é padrão. O mesmo pode ocorrer com posturas invertidas. Ficar “de ponta cabeça” implica em ver o mundo com outros olhos.

No yoga trabalhamos a flexibilidade do corpo, criando condições para que este assuma novas formas e novas estruturações. A flexibilidade do corpo vai além do aspecto físico, se refletindo na maneira com que cada um constrói sua própria história pessoal. À medida que aprendemos a assumir novas formas, mudamos não apenas essa camada visível e concreta de nós mesmos (o corpo), mas a maneira como vemos e interagirmos com o mundo. Nos abrimos para novas escolhas e novas formas de experienciar o mundo a nossa volta.

*Vanessa G. Malagó é professora de yoga e dá aulas no Espaço Céu Aberto, em Barão Geraldo.
Para saber mais sobre seu trabalho com yoga, acesse: www.ashtangayogacampinas.blogspot.com

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