Por Patrícia Cholakov, ás 17h00
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Rodovia de Campinas é revitalizada com asfalto ecológico
Motoristas que utilizam a Rodovia Professor Zeferino Vaz (SP 332), conhecida como “Tapetão”, para se deslocar à Paulínia e Barão Geraldo têm encontrado dificuldades no tráfego, devido a pista estar parcialmente bloqueada, permitindo a passagem de automóveis em apenas duas de suas três faixas. O trânsito na região é consequência de uma obra de evitalização que deve utilizar o asfalto-borracha, técnica de pavimentação ainda pouco usada no Brasil, que consiste na mistura asfáltica produzida com pó de borracha de pneus inutilizados. O que muita gente não sabe é que a obra usa um onceito ecologicamente correto: o asfalto é feito com o reaproveitamento da borracha de pneus. Com a iniciativa, 70 mil neus deixarão de ser descartados.
As obras, de responsabilidade da concessionária Rota das Bandeiras, iniciadas em 24 de fevereiro devem terminar no mês e agosto. Nesta primeira etapa, será realizada a pavimentação do trecho do km 110 ao km 113, no sentido Campinas-Paulínia, entre a Avenida Theodureto de Almeida Camargo e a rodovia Dom Pedro I (SP-065).
O custo da obra é de R$ 14,6 milhões. O custo é 30% maior do que se fosse feito um asfalto convencional. O asfalto-borracha é composto por 20% de pó de borracha de pneus, o que demanda um processo de reciclagem. Em nota, o rerente de obras e conservação da Rota das Bandeiras, Alessandro Pacheco, afirma que as intervenções têm como objetivo maior durabilidade do asfalto, maior conforto e segurança para os usuários.
De acordo com o supervisor de engenharia da empresa DPaschoal, Eliel Bartels, todas as empresas que atuam no setor de pneus e materiais pesados são obrigadas, pela Resolução 258/99 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), a garantir o descarte correto desses materiais. “O Conama determina que seja feita a coleta dos pneus na proporção de quatro para um. A cada pneu que colocamos no mercado, devemos coletar quatro do meio ambiente, além de realizar a segregação e descarte ecologicamente inofensivo”, afirma.
Os pneus são recolhidos por empresa terceirizada, que realiza a segregação correta e destina o material para outras empresas, que podem utilizá-lo como fonte de energia, combustível de cimenteiras e como pavimento. Segundo o Diretor Geral da Mazola Logística e Reciclagem, responsável pela coleta de pneus, Marcelo Mazola, 90% dos pneus recolhidos do meio ambiente são destinados às fábricas de cimento. “No Brasil, ainda é baixa a produtividade do asfalto ecológico. O alto investimento ainda é uma barreira para as concessionárias. Em longo prazo esse consumo deve aumentar, pois é
um investimento vantajoso. Por causa da durabilidade e da diminuição de rachaduras, esse asfalto se torna mais lucrativo”, esclarece.
A técnica trazida dos Estados Unidos apresenta-se como promissora para a diminuição dos malefícios ao meio ambiente, que vão da poluição de rios a doenças causadas por mosquitos que se reproduzem em poças d’água armazenadas nos entulhos. Com a implantação da técnica em pistas automotivas do país, uma parte importante dos resíduos sólidos que poluem o ambiente será revertida em matéria prima. Estima-se que cada quilômetro pavimentado com asfalto-borracha consuma, em média, 500 pneus, podendo chegar a 1000, dependendo da largura e espessura do trecho.
O recolhimento dos pneus sem uso é custeado pelas empresas que os colocam no mercado. Bartels afirma que a utilização da borracha na produção do asfalto não traz vantagens diretas para a empresa, mas aumenta a credibilidade. “Ainda que não tenhamos retorno financeiro imediato, a mudança de hábitos e a responsabilidade com o meio ambiente são atitudes que garantem a confiança dos clientes, tornando-os mais fiéis, aumentando, consequentemente, nossas vendas. É o que chamamos de lucro azul: vantagem para a empresa, para o consumidor e para o meio ambiente”, explica.
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